Do nosso lado

04/03/2004 00:14
Gente, tava sem internet,mas agora tá td bem!!!
Desculpa ter parado de falar do carnaval,mas outra hora volto a contar. Preciso fazer uma pausa pra CULTURA,né?

A Racionalização das Emoções

O ponto de vista feminino tem sido muito mais difícil de expressar que o masculino. Se assim me posso exprimir, o ponto de vista feminino não passa pela racionalização por que o intelecto do homem faz passar os seus sentimentos. A mulher pensa emocionalmente; a sua visão baseia-se na intuição. Por exemplo, ela pode ter um sentimento em relação a qualquer coisa que nem sequer é capaz de articular.
A princípio, achei extremamente difícil descrever como me sentia. Porém, se fazemos psicanálise, a questão é sempre: «Como é que se sentiu em relação a isso?» e não «O que é que pensou?» E como muito frequentemente a mulher não deu o segundo passo, que é explicar a sua intuição - por que passos lá chegou, o a-b-c daquilo - ela não consegue ser tão articulada.

Ora eu tentei fazer isso (quer tenha conseguido quer não), e, porque estava a escrever um diário que pensava que ninguém leria, consegui anotar o que sentia acerca das pessoas ou o que sentia acerca do que via sem o segundo processo. O segundo processo veio através da psicanálise, que era igualmente um método de comunicar com o homem em termos de uma racionalização das nossas emoções de modo que pareçam fazer sentido ao intelecto masculino. Por isso existe uma diferença, penso eu, que é muito profunda, mas que está a começar a desaparecer. Com efeito, penso que, quando a geração mais jovem passa por qualquer experiência psicanalítica descobre que os sonhos dos homens e das mulheres são os mesmos, o inconsciente é universal, e que aí as coisas brotam do sentimento e do instinto e não passaram pelo processo de racionalização, e portanto este é um ponto de vista feminino.

Anais Nin, in "Fala Uma Mulher"

Essa mulher era realmente maravilhosa!!!Aí vai a biografia dela...

A escritora francesa Anaïs Nin nasceu em Neuilly, um subúrbio de Paris, em 1903. Teve uma infância verdadeiramente cosmopolita, passando por várias cidades da Europa. Porém, quando Anaïs tinha onze anos, seu pai - o pianista espanhol Joaquin Nin - abandonou a família e foi para a América. Foi o ponto de partida para que a pequena Anaïs começasse a escrever seus diários, inicialmente uma longa carta dirigida ao pai.
Nesse mesmo ano, sua mãe, a franco-dinamarquesa Rosa Culmell, levou Anaïs e seus outros dois filhos para Nova Iorque. Autodidata, a escritora passou a infância lendo e mantendo um pequeno jornal, que ela inicialmente escreveu em francês e o qual só começou a redigir em inglês a partir dos seus dezessete anos.
Em NY, a escritora estudou arte até que, em 1923, casou-se com Hugh Guiler. Guiler ilustrou mais tarde os livros da esposa, sob o pseudônimo de Ian Hugo. O casal mudou-se para Paris quando Anaïs começou a escrever seus livros de ficção, nos anos 30.
Na França, a escritora consolidou-se na profissão a partir do lançamento da obra "D.H. Lawrence: na unprofessional study". Seguiu-se a este uma infinidade de livros, como por exemplo o consagrado "A Casa do Incesto" (The House of Incest), um poema em prosa que mostra uma série de tormentos psicológicos, bem ao gosto da literatura atormentada de Anaïs.
Toda a sua literatura tem uma forte conotação erótica, mais mostrada explicitamente nos volumes "Delta de Vênus" (disponível em filme) e "Little Birds". Com Hugh Guiler, a escritora viveu um casamento de mais de 50 anos. Apesar de feliz, Anaïs manteve uma série de envolvimentos extraconjugais, com nomes como Henry Miller, Otto Rank, Gore Vidal, Edmund Wilson. Na infância, Anaïs foi seduzida pelo próprio pai.
Teve uma vida amorosa cheia de viesses, e foi capaz de manter um segundo marido, Rupert Cole, por pelo menos 25 anos, constituindo uma relação de bigamia, já que nunca se separou de Hugh Guiler. Os diários de Anaïs Nin cobrem o período de 1931 a 1977, e trazem uma visão da escritora como mulher e artista. Mais do que retratos biográficos, os diários compõem uma verdadeira obra de arte, tamanha a riqueza de detalhes e a maneira como a escritora pensou em construir seus escritos.
Anaïs voltou à Nova Iorque um pouco antes da eclosão da Segunda Grande Guerra. Começou, então, a dividir sua vida no eixo Nova Iorque-Los Angeles, o que significava, também, estar entre Hugo, seu primeiro marido, e Rupert, o marido/amante. A escritora ficou mais conhecida pelos seus diários, mas não dá para menosprezar a grande quantidade de novelas e poemas em prosa, em estilo surrealista, que produzia sem cessar, com grande sensibilidade e percepção. Em 1974, a escritora foi eleita para o National Institute of Arts and Letters, nos Eua. Em 1977, na cidade de Los Angeles, o câncer colocava fim à sua vida.

Beijinhos a todos!!!

enviada por Lola






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